quinta-feira, 12 de novembro de 2009

TROPEÇOS


Já te aconteceu que a vida
Parecia estar te sacaneando?
Que nunca sobrava grana
Para birita do fim de semana

Largando sempre atrás
Dos maiorais e dos boçais
Na prova injusta da economia

Nunca tive nada de graça
Foi na raça, a mão na massa
Com muita fé e muita fadiga

Cansado por muita vontade
Vivendo em nossa realidade
Sendo caça para muito predador

Sempre um chega batendo
Outro mordendo, aqui me doendo
Sua, roga, chora, sagra sangra sangue

E quando voltar a se reparar
Vai estar sem ter quem te apoiar
De base o fundo do poço

Resgatando ao retornar
Encontrar de novo o lugar
Ser pleno de luz no caminho

Portanto fique bacana
Senão não encontra a saída
Da ruína no tropeço
Que apaga a tua chama

OCEANOMAR


O dia amanheceu e meus pés
Negaram-se a me levantar
Cansados desgastados
Por ter tanto contato
Com lugares onde o tato
Foi tirado do contrato
Um chão glacial é ponte
Para onde a direção aponte

Há muito um gelado
De não ter mais contato
Em quem possa sem receio
Confiante abraçar
Onde um ato de nobreza
Seja visto por fraqueza
E que se tampe o sol
Com o manto da tristeza

Sei que nessa hora
Dá uma vontade louca
De poder voar
Até o lugar
Onde o rio encontra o mar
E o mar o oceano
Quando a lua beija o sol
E a paz foi semeando
O lugar pra ser feliz
Venha se mostrar
Mas quando eu voltar
Para onde devo estar
Os problemas ainda
Estarão ali presentes
Mas tive quando ausente
A certeza de sorrir

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

POR UM INSTANTE


Egoísta, assim me percebi só
Reconhecer erro não deve gerar dó
É a solução da aflição que cerceia a alma
Saída do labirinto que aprisiona o espírito
Fuga do desatino que enlouquece a mente
Reencontro de si, novamente sendo gente
Mãos, frias sem sentimento
Esquecidas que ficaram
De como carinhos lhe importavam
Espalharam sofrimento
Peito gelado
Afastando a companhia
De quem lhe queria
Ficou amargurado
Olhar corrompido
Carregado de orgulho
Fútil brilho, um entulho
Cego triste caído
Só solidão me acompanhou
Arrogância me dominou
Inútil sensação de desgosto
Desagradando o meu oposto
Perdi minha grande virtude
De fazer do amor plenitude
Quero ver ainda ao meu lado
O rancor quieto, silenciado
Agora saudade ficou
Agora ninguém ficou
Eu gostaria apenas
Por um instante
De uns poucos minutos
Fazer uma mulher feliz

ENCONTRO


O que pode pedir um coração?
O que serena a tempestade no peito?
O que adoça o amargo da vida?
O que pode cessar a lágrima?
Ou que pode escorrer junto à ela felicidade?
O que deseja solitária mão?
O que olhos tristes procuram?
O que faz o corpo levantar toda manhã?
O que faz o corpo procurar aconchego à noite?
O que faz um sorriso mais bonito?
O que faz o abraço ser espontâneo?
O que suaviza atormentada voz?
O que arrepia, que treme, que sua?
O que se sussurra ao pé do ouvido?
O que faz a alma sair do vale das sombras?
O que realmente nos torna especiais?
O que fazia eu sem você?
Amor, nosso encontro foi tão desejado
Foi finda a busca
Terminado estio
Saciada fome
Agora chove
Chuva iluminada pelo sol que namora a lua
Desce dos céus para onde sobe minhas aspirações
Metamorfoseando meu antigo inferno
Convertendo-o finalmente em paraíso
Agora que esse encontro se realizou
Só peço o direito a um último pedido
Ama-me!
Ama-me com o fogo que não consome
Ama-me com o ardor que rejuvenesce
Ama-me com a devoção que não mata
Ama-me com o amor que não morre

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

POEMA DO ADEUS


...preciso soltar dessa amarra.
Barco sem marinheiro, capitão sem Nau, à deriva, à vida.
Um precisa navegar,
Noutro a certeza da terra firme serena as tormentas.
Podemos subtrair da flor o perfume?
Extrair totalmente o calor do sol?
Nunca se apaixanar com a lua cheia?
Jamais sorrir junto à infância quando estende diminuta mão?
Também acreditei que não seria a eterna resposta.
Mas sim existe sim e surgiu da boca que menos esperava
Foi dito delicadamente suave por amor
Que disse-me sim, teu amor pode matar
E não, não a terá se realmente é amor o que sentes
Sois estio para frágil graça em vida
Sois escuridão quando vier o frio
Sois entardecer na necessidade da manhã
Afasta-te, abranda-te e encanta-te
Deixa a vida se curar, a correnteza fluir os males
Que o menino quer voltar para casa

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

DIFICULDADES



Aquele que todos vêem mas não o enxergam
De corpo frágil que esconde um segredo
Do sangue impuro emana a mais pura emoção
Um guerreiro que luta para vencedor o bem
Um super-herói a serviço do mal
Fugindo de sua identidade secreta
Identidade inconveniente
Que aos próprios olhos é pequena
Que aos próprios desejos é fraca
Que frente à vontade é covarde
Porém diante de uma verdadeira batalha
Arrisca-se peito aberto ao incerto
Sabedor de suas ilimitadas habilidades
Mesmo sendo humano, frágil, imperfeito
E extremamente forte, resistente, tenaz
Pronto a alcançar o erro, atingir a falha
Ser perdido, ser heróico, ser natural
Assim segue aquela criatura, serena
Despercebida, com suas asas recolhidas

QUEIJO


Bela Fênix das palavras
Passei aqui pra deixar beijo
Que como queijo
É bom pra caramba.
Inda mais aquele grelhado, aquecido,
Formando casca que crosta e crack crocante
Deliciando paladares exaltados.
Molho salivar junto a acompanhar
O que o olhar há muito vinha a apreciar,
Sorvendo o exalado dos aromas vazados
Por poros que peles
Em suores que derretes
Do ser que queres.
Satisfação já não é um não,
Soberba disse um sim,
Abençoando a mim,
Dirimir-me dos pecados, anulados,
permitindo somente, por ínfimo instante ausente
deste mundo sair, sublimar dali,
do planeta amar, teu gosto, teu corpo tão salutar.