sexta-feira, 13 de novembro de 2009

BELEZA INTERIOR


Bárbara sempre foi muito incrível
Linda, excitante do mais alto nível
Andar que passa e transpassa a visão
Suave, faceira, musa da imaginação
Leve perfume da sua forte presença
Dispara que deixa a pulsação extra-tensa
Cabelos são crinas de alma selvagem
Deleite, convite à nobre viagem
Galopa e voa, se espalha e me tece
Me enrosca que eu quero rezar tua prece
Em teia, em trama, em vestes, sem vestes
Mamilos e olhos e dorso celestes
Cansados, deitados, na maior vadiagem
Banca uma Santa vestindo roupagem
O corpo perfeito virou-se barreira
Não é mulher de só sexta-feira
Que tem talento não só na boca
Dá seu pití sem ser muito louca
Tá cansada de ser só coxa e bunda
Mesmo diária da Academia oriunda
Mais belos que os olhos é seu interior
Nas ruas lhe despem em pleno fervor
Lhe abraço fraterno na educação
Lhe digo aos ouvidos rogada benção:
Delirius tremis de leve languidez
Decorrem, percorrem-lhe embriaguez
E ao toque sorrir toda esperança
Crescendo de mim para ti aliança
Desfruto da ação ocorrida, imediata
Te digo na cara, encaro, na lata:
Conheço um membro que está louco
Para conhecer sua beleza interior!!

NADA E TUDO


Não quero o briho da lua,
Quero-a suada, desavergonhada
Na pele perolada aveludada,
Do aroma abençoada, amendoada
Quero seu tudo, quero um nada,
Quero estrelas brilhando em Tim-Tim
Esta dama, este instante, sois para mim

Não quero ser o sol, quero ser raio e calor
Dourar tua pele, aquecer tua aberta ferida
E provocar nascer na vida mais vida
Contamina de alegria e dissemina
Segura a mão, pega pelo pé e contagia
Vira mania fugidia da monotonia
Te ter ao lado, embaixo, em cima

Não quero ser sexo, também gozo
Que geme as pernas
Morde lábios e trinca os dentes
Que arrepia a tez
O corpo, a alma e seios
Todos de uma só vez
Tornando-os salientes

Não quero ser Santo, nem culpado
Quero a ti ser companheiro
Amante mais que amado
E que se ame sob chuveiro
Que faça comigo o diabo
Que faça de mim um santeiro
Devaneio de seresteiro

Não quero ser cruz, inviolável
Sou pecável, carnal justificável
E ao contrário do dito barbário
Tampouco imóvel pra confessionário
Trocar na saliva o contato à unha
Encantar mulher xingando a alcunha
Eu que te olho, você quando grunha

Não quero sem você, é solidão
Pega minha mão e sonha de antemão
Que não vou mais não, esse é meu chão
E aquele então é nosso colchão
Corre, assanha sim, arranha não
Eu quero estar nu em seu xadrez
Que desta vez chegou nossa vez!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

PRESSÃO


Eu já perdi você
O meu emprego
Tá sem me querer

A pressão extrapolou
Tava para acontecer
Não tinha mais saída
Por onde correr

Está sem companhia
O meu coração
Quem ele queria
Hoje disse não

Tem muita gente comendo
Do fino de graça
Me alimento roendo
Mas a caravana passa

Leão só mordendo
É a situação
E eu só querendo
Mas fico na mão

No Congresso todo
Todo mundo ataca
É quem assina primeiro
O resto não tasca

O país continua
Na mesma situação
Uns de grana se enchendo
Pobre farinha e feijão

TROPEÇOS


Já te aconteceu que a vida
Parecia estar te sacaneando?
Que nunca sobrava grana
Para birita do fim de semana

Largando sempre atrás
Dos maiorais e dos boçais
Na prova injusta da economia

Nunca tive nada de graça
Foi na raça, a mão na massa
Com muita fé e muita fadiga

Cansado por muita vontade
Vivendo em nossa realidade
Sendo caça para muito predador

Sempre um chega batendo
Outro mordendo, aqui me doendo
Sua, roga, chora, sagra sangra sangue

E quando voltar a se reparar
Vai estar sem ter quem te apoiar
De base o fundo do poço

Resgatando ao retornar
Encontrar de novo o lugar
Ser pleno de luz no caminho

Portanto fique bacana
Senão não encontra a saída
Da ruína no tropeço
Que apaga a tua chama

OCEANOMAR


O dia amanheceu e meus pés
Negaram-se a me levantar
Cansados desgastados
Por ter tanto contato
Com lugares onde o tato
Foi tirado do contrato
Um chão glacial é ponte
Para onde a direção aponte

Há muito um gelado
De não ter mais contato
Em quem possa sem receio
Confiante abraçar
Onde um ato de nobreza
Seja visto por fraqueza
E que se tampe o sol
Com o manto da tristeza

Sei que nessa hora
Dá uma vontade louca
De poder voar
Até o lugar
Onde o rio encontra o mar
E o mar o oceano
Quando a lua beija o sol
E a paz foi semeando
O lugar pra ser feliz
Venha se mostrar
Mas quando eu voltar
Para onde devo estar
Os problemas ainda
Estarão ali presentes
Mas tive quando ausente
A certeza de sorrir

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

POR UM INSTANTE


Egoísta, assim me percebi só
Reconhecer erro não deve gerar dó
É a solução da aflição que cerceia a alma
Saída do labirinto que aprisiona o espírito
Fuga do desatino que enlouquece a mente
Reencontro de si, novamente sendo gente
Mãos, frias sem sentimento
Esquecidas que ficaram
De como carinhos lhe importavam
Espalharam sofrimento
Peito gelado
Afastando a companhia
De quem lhe queria
Ficou amargurado
Olhar corrompido
Carregado de orgulho
Fútil brilho, um entulho
Cego triste caído
Só solidão me acompanhou
Arrogância me dominou
Inútil sensação de desgosto
Desagradando o meu oposto
Perdi minha grande virtude
De fazer do amor plenitude
Quero ver ainda ao meu lado
O rancor quieto, silenciado
Agora saudade ficou
Agora ninguém ficou
Eu gostaria apenas
Por um instante
De uns poucos minutos
Fazer uma mulher feliz

ENCONTRO


O que pode pedir um coração?
O que serena a tempestade no peito?
O que adoça o amargo da vida?
O que pode cessar a lágrima?
Ou que pode escorrer junto à ela felicidade?
O que deseja solitária mão?
O que olhos tristes procuram?
O que faz o corpo levantar toda manhã?
O que faz o corpo procurar aconchego à noite?
O que faz um sorriso mais bonito?
O que faz o abraço ser espontâneo?
O que suaviza atormentada voz?
O que arrepia, que treme, que sua?
O que se sussurra ao pé do ouvido?
O que faz a alma sair do vale das sombras?
O que realmente nos torna especiais?
O que fazia eu sem você?
Amor, nosso encontro foi tão desejado
Foi finda a busca
Terminado estio
Saciada fome
Agora chove
Chuva iluminada pelo sol que namora a lua
Desce dos céus para onde sobe minhas aspirações
Metamorfoseando meu antigo inferno
Convertendo-o finalmente em paraíso
Agora que esse encontro se realizou
Só peço o direito a um último pedido
Ama-me!
Ama-me com o fogo que não consome
Ama-me com o ardor que rejuvenesce
Ama-me com a devoção que não mata
Ama-me com o amor que não morre